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Carlos Cuerpo. Vice-presidente do Governo espanhol assume pasta dos Transportes
O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro esta quarta-feira, após a demissão de Óscar Puente, motivada por dois acidentes mortais com comboios de alta velocidade este ano. Numa breve declaração, Pedro Sánchez elogiou a dignidade política do ex-ministro e afirmou que a decisão de Puente ajudou o país a recuperar a confiança no sistema ferroviário.
Em contexto de campanha eleitoral, o Partido Socialista espanhol (PSOE) perde uma das suas vozes mais combativas que também é uma das mais controversas.
Já o primeiro-ministro de Espanha perde o seu "cão de ataque", como Óscar Puente é apelidado pelos comentadores, uma vez que era frequente trocar farpas com rivais políticos.
Na declaração que proferiu esta manhã, o primeiro-ministro espanhol defendeu que a demissão de Puente “ajuda a Espanha a recuperar a confiança no sistema ferroviário e na dignidade política”. O PSOE considera o ato uma “lição de dignidade” e uma demonstração de que “nem todos somos iguais”.
Jornal da Tarde | 4 de novembro de 2026
Pedro Sánchez elogiou o trabalho do ex-ministro que “trabalhou incansavelmente para melhorar a vida no nosso país, e particularmente a mobilidade dos nossos cidadãos, teve de enfrentar grandes desafios, que soube abordar com dedicação, transparência e integridade”.
Com esta demissão, seis dias após o segundo acidente ferroviário mortal deste ano, o vice-presidente do governo espanhol (que também é ministro da Economia), Carlos Cuerpo, tomará conta dos Transportes. Pedro Sánchez declarou que "Cuerpo demonstrou, nesta legislatura, uma enorme capacidade de gestão e integridade".
Do lado da oposição, o líder do Partido Popular pediu ao presidente do governo que adote a “dignidade política” do agora ex-ministro dos Transportes. “O critério da dignidade devia ser aplicado a si próprio”, exigiu Fejóo ao chefe do Executivo, em entrevista à Antena 3. “Por dignidade política, esta legislatura (...) já devia ter acabado há muito tempo”, defendeu o líder do PP.
O ministro demissionário provocou surpresa ao anunciar, discretamente, na noite de terça-feira, que estava de saída do cargo. O anúncio surgiu após uma sessão tensa de quatro horas perante um órgão parlamentar provisório.
Nessa sessão a maioria dos partidos exigiu a Óscar Puente que assumisse a responsabilidade pelos dois desastres ferroviários que, somados, resultaram na morte de 115 pessoas.
Puente, de 57 anos, revelou que já tinha tomado a decisão logo após o acidente ferroviário em Urda, na região central de Espanha. A demissão só entrará em vigor após publicação no jornal oficial do Estado.